agridoceja
Em uma outra realidade nós ainda teríamos algo e estaríamos falando de todas as nossas promessas como se elas não fossem se quebrar um dia. Você iria dizer que no fim estaria tudo bem, já que o fim jamais seria nosso conhecido. Você diria que em todas as coisas, por mais complicadas que sejam, eu teria o seu apoio e que tudo é passageiro, inclusive a saudade. Estaríamos rindo dessa realidade que não tem você, tampouco graça. Talvez, se a teoria do multiverso for verdadeira, nós ainda existamos em outras dimensões. É reconfortante saber que em outro universo nós ainda podemos estar de mãos dadas, sentindo a eletricidade do toque, como se aqui tudo que tenha restado de nós não sejam apenas sobras desse amor que um dia você me jurou ser tão grande quanto o sistema solar. Foi assim que eu descobri que coisas gigantes demais sempre acabam, quebram, se esfarelam em milhares de partículas. Foi ao te ver partir que eu percebi que nem as maiores juras ou as maiores demonstrações de amor duram para sempre, por mais que no momento da promessa nós acreditássemos inteiramente que aquela era a verdade absoluta. E enquanto nessa outra realidade estamos juntos, a que vivo agora não existe você, não existe nós, aquilo que fomos se partiu em tantos pedaços que nenhum átomo teu conseguiria encontrar um meu. Nessa realidade nós conhecemos o fim, somos velhos conhecidos da saudade, e percebemos que nada disso tem graça, como nossos risos de uma suposta suposição.
- Escrito por Lorrayne, Taís, Bruna e Paula em Julietário.