agridoceja
Eu não tenho medo de me aproximar de alguém e essa pessoa fugir como um animal assustado. Eu tenho medo de me aproximar e alguém me acolher em seus braços, segurar minha mão e arrancar um sorriso bobo de mim. O medo já faz parte da minha personalidade, por isso sou um poço de insegurança, piadas sem graça e atitudes que afastam quem tenta chegar perto de mim; com “perto” não digo fisicamente, quero dizer mais que fisicamente, entende? Tão perto a ponto de quebrar minhas barreiras e conhecer o que sou de verdade. E se alguém me conhecer de verdade, gostar do que sou e resolver ficar? Ninguém nunca ficou tanto tempo para que eu conseguisse saber qual a sensação. Dizem que é bom, dizem que é gostoso sentir tudo isso, mas eu não sei definir de fato se quero sentir isso para depois não sentir mais. Minha concepção é um tanto pessimista e um tanto doentia, mas tenho medo de ter coisas boas na vida e elas simplesmente se acabarem ou me abandonarem. Desculpa, mas é que minha história de vida sempre foi baseada em “dessa vez vai dar certo”, nisso acabo me abrindo e depois desse momento fantástico me vejo sozinha, com o coração partido. Eu era dessas que criava expectativas, que se doava e tentava porque não tinha nada a perder. Mas isso só acontece quando ainda não conhecemos a dor da irreciprocidade. Quando muito caímos, resolvemos tentar evitar, né? Olha pros meus joelhos. Viu? Não cabem mais cicatrizes. Eu não sei mais ver o lado bom da coisa e juro queria tirar isso de mim; queria voltar a estar disposta a amar e me dar a chance de sentir aquela coisa inexplicável por dentro, aquilo que chamam de borboletas no estômago, aquele frio na barriga. Queria voltar a ser eu, aquela que não tem medo de sentir, tampouco deseja que fujam antes que se apaixonem também. Será que Deus um dia vai me permitir voltar?
- Escrito por Lucas, MarcelaIsadora M. e Juliana em Julietário.