Eu não tenho medo de me aproximar de alguém e essa pessoa fugir como um animal assustado. Eu tenho medo de me aproximar e alguém me acolher em seus braços, segurar minha mão e arrancar um sorriso bobo de mim. O medo já faz parte da minha personalidade, por isso sou um poço de insegurança, piadas sem graça e atitudes que afastam quem tenta chegar perto de mim; com “perto” não digo fisicamente, quero dizer mais que fisicamente, entende? Tão perto a ponto de quebrar minhas barreiras e conhecer o que sou de verdade. E se alguém me conhecer de verdade, gostar do que sou e resolver ficar? Ninguém nunca ficou tanto tempo para que eu conseguisse saber qual a sensação. Dizem que é bom, dizem que é gostoso sentir tudo isso, mas eu não sei definir de fato se quero sentir isso para depois não sentir mais. Minha concepção é um tanto pessimista e um tanto doentia, mas tenho medo de ter coisas boas na vida e elas simplesmente se acabarem ou me abandonarem. Desculpa, mas é que minha história de vida sempre foi baseada em “dessa vez vai dar certo”, nisso acabo me abrindo e depois desse momento fantástico me vejo sozinha, com o coração partido. Eu era dessas que criava expectativas, que se doava e tentava porque não tinha nada a perder. Mas isso só acontece quando ainda não conhecemos a dor da irreciprocidade. Quando muito caímos, resolvemos tentar evitar, né? Olha pros meus joelhos. Viu? Não cabem mais cicatrizes. Eu não sei mais ver o lado bom da coisa e juro queria tirar isso de mim; queria voltar a estar disposta a amar e me dar a chance de sentir aquela coisa inexplicável por dentro, aquilo que chamam de borboletas no estômago, aquele frio na barriga. Queria voltar a ser eu, aquela que não tem medo de sentir, tampouco deseja que fujam antes que se apaixonem também. Será que Deus um dia vai me permitir voltar?
Publicado em 20 May 2019 :: 2 years ago
às 11:03pm